Fazer exercícios ou viver em treinamento permanente?

Hoje, muitas pessoas não querem saúde. Querem aceitação, pertencimento e diminuir a própria dor emocional através da aprovação alheia. E o mercado percebeu isso antes de todo mundo. Então ele fez algo extremamente inteligente: transformou pessoas comuns em “quase atletas”.

Agora, acordar às cinco da manhã virou símbolo de superioridade moral. Tomar pré-treino virou identidade. Comer virou cálculo. Descansar virou culpa. E faltar um dia na academia parece quase um fracasso pessoal.

A pergunta é: quando exatamente o cuidado com o corpo virou um culto de performance?

O marketing da beleza vendeu uma nova religião

A sociedade moderna não vende apenas produtos fitness. Ela vende pertencimento. Ela diz: “Você será admirado e desejado, terá disciplina e será muito melhor e, finalmente, definirá que você finalmente será aceito”.

Por trás de roupas esportivas, suplementos, rotinas extremas e corpos perfeitos nas redes sociais, existe uma indústria bilionária sustentada pela insegurança humana. E assim, quanto mais insatisfeito você estiver consigo mesmo, mais lucrativo você se torna. A lógica é simples:

  • Crie ansiedade → ofereça transformação → mantenha comparação constante → gere consumo infinito.

Exercício físico é saúde. Obsessão performática é outra coisa.

Existe uma diferença enorme entre cuidar do corpo e transformar a própria vida em preparação eterna para um palco imaginário. Contudo, nem todo mundo que treina está saudável emocionalmente.

Muitas vezes, o treino virou anestesia emocional, uma fuga. Uma compensação psicológica ou uma tentativa silenciosa de conquistar valor pessoal através da aparência.

A academia deixou de ser apenas um espaço de saúde para se tornar, em muitos casos, um ambiente de validação social. E isso muda completamente a relação da pessoa com o próprio corpo.

Leia mais sobre saúde e bem estar neste texto: 👉🏼Seu corpo: Desempenho, Saúde e Beleza. Qual a importância?

Você não é atleta. Você é consumidor.

Essa talvez seja uma das maiores manipulações modernas. Com isso, o mercado fez milhões de pessoas acreditarem que vivem em “alta performance”, quando na verdade vivem em alto consumo.

Você não precisa ser atleta profissional para:

  • comprar dezenas de suplementos;
  • seguir dietas extremas;
  • consumir conteúdo fitness compulsivamente;
  • transformar o corpo em projeto central da existência;
  • e sentir culpa constante por não performar.

A venda foi gigantesca. Transformaram saúde em identidade, estética em virtude, rotina em espetáculo. E e agora muita gente vive cansada, frustrada e psicologicamente pressionada tentando sustentar uma vida que nunca foi necessária.

A primeira obrigação do dia… ou a primeira prisão?

Existe algo preocupante acontecendo: a academia virou, para algumas pessoas, a primeira obrigação emocional do dia. E não por saúde, prazer ou equilíbrio, mas por medo de engordar e perder aprovação. .
Medo de não parecer disciplinado e não estar à altura do padrão coletivo.

Quando o exercício nasce da culpa, ele deixa de fortalecer a mente e, consequentemente, passa a desgastá-la.

O corpo saudável não precisa viver em guerra

A dimensão física é fundamental. O sedentarismo destrói saúde, energia e qualidade de vida. Mas existe equilíbrio. Você não precisa transformar sua existência em uma competição estética permanente para cuidar do próprio corpo.

O que você precisa talvez seja caminhar, dormir bem, ter alimentação equilibrada. Com efeito, se pensar mais profundamente, seria melhor apenas movimentar-se, ter energia, reduzir estresse e, com isso, fortalecer o organismo.

Tudo isso continua sendo saúde real, no entanto, o problema começa quando a pessoa deixa de ouvir o próprio corpo para obedecer apenas à pressão cultural.

Conclusão: o corpo virou vitrine e a mente ficou esquecida

A sociedade criou uma geração fisicamente exausta e emocionalmente insegura. Nunca houve tanta preocupação estética. E, ao mesmo tempo, nunca houve tanta ansiedade, comparação e sensação de insuficiência.

Porque muitos não estão treinando apenas músculos, estão tentando treinar aceitação. E talvez a pergunta mais importante hoje não seja: “Você está em forma?”, Mas: “Você ainda consegue viver sem precisar provar valor o tempo inteiro?”

👉🏼 Leia sobre a Dimensão Física e sua importância neste artigo: Dimensão Física: O corpo como base para o equilíbrio pessoal 

Saúde e Bem-estar não são mais suficientes para o desenvolvimento pessoal 

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👉 Parece que só beleza não é o suficiente para o desenvolvimento pessoal. Realmente percebe-se uma busca por algo a mais. Vamos ver isso neste texto. 🧐🫢

O desenvolvimento pessoal é uma jornada multidimensional que envolve a busca contínua pelo aprimoramento das capacidades físicas, emocionais, cognitivas, espirituais e sociais. Lendo assim entende-se que nada mudou e que ter saúde física, mental e ter bom relacionamento com amigos e escola está tudo bem, certo? Errado. Não consigo ver mais dessa forma.

Em meio a essa complexidade dos conceitos, é claro que se perguntar para qualquer pessoa, a saúde se sobressai como um pilar fundamental. O mundo ao seu redor prova que as práticas voltadas para o bem-estar físico estão em alta, tanto que nunca se viu tantas academias por aí, todas lotadas, indicando que ter um corpo bonito parece essencial para um desenvolvimento pessoal efetivo. Sabe o que é estranho? Muita gente bonita fisicamente e fracassada de muitas maneiras. O que há de errado então?

Neste artigo vamos explorar um pouco sobre a relação entre bem-estar, saúde e desenvolvimento pessoal, focando na aparente insuficiência de ser saudável e bonito. Parece-me que as pessoas anseiam ter, ou ser, um pouco mais que isso. Vou inserir outros fatores como: dinheiro, trabalho, inteligência e um pouco de equilíbrio.

Figura 1 – Ser bonito é suficiente?

A história do desenvolvimento pessoal remonta aos filósofos da Grécia Antiga, como Sócrates, Platão e Aristóteles, que enfatizavam a importância do autoconhecimento e da vida virtuosa para o florescimento humano. Perceba a filosofia aparecendo novamente na vanguarda do assunto. Já reparou que sempre há um filósofo envolvido? Pois é. Note o termo “vida virtuosa”, ele aponta para onde quero chegar. Seguimos.

No oriente, mestres como Confúcio e Siddhartha Gautama (Buda) também abordaram o aprimoramento pessoal, relacionando-o com a moralidade, a meditação e a harmonia interior. A Renascença e a Idade Moderna trouxeram uma revitalização desses conceitos através do humanismo, com pensadores como Erasmo de Roterdã e, posteriormente, com a psicologia moderna de Sigmund Freud e Carl Jung, que exploraram o inconsciente e o crescimento espiritual.

Saúde é o que interessa e o resto não tem pressa. Será?

Tradicionalmente, o desenvolvimento pessoal sempre esteve intimamente ligado à saúde e ao bem-estar. Isso engloba aptidão física, saúde mental e melhora no estilo de vida. Traduz-se no provérbio: corpo são, mente sã. As duas coisas trarão vida boa. Observe que corpo e mente saudáveis são causas de uma vida boa, que é a consequência. Não preciso explicitar que, na Lei de causa e efeito, se as causas forem modificadas, trocadas ou até mesmo extintas, a consequência esperada ou efeito não existirá mais de acordo com as causas, ou seja, o produto será diferente.

Como já dito no exemplo das academias, a aptidão física já foi atingida pelas pessoas, isso é louvável e digno de parabéns! Mas sejamos direto. De forma simples e sem dificuldade nenhuma de constatar, temos de fato muita gente bonita (corpo modelado), porém meio tapada (incapacidade de percepção da realidade), desequilibrada (talvez de causa hormonal alterada), doente (narcisismo ou síndrome de autoimagem), sem educação (se bem que essa aqui é geral para feios e bonitos) e mais um monte de coisa estúpida (tanta coisa que já podem criar um partido político).

Óbvio que eu não vou generalizar, conheço pessoas que entendem seus corpos como a base para a saúde para receber conhecimento e valor, e não fazem culto ao corpo, como a maioria faz. Se você duvida, saia de casa, vá nas academias, observe o movimento. Depois registre bem como é conviver com muitas das pessoas da geração saúde, dos procedimentos estéticos e das fotinhas para Instagram. Observe algumas delas no trabalho ou converse com elas em um ônibus, metrô ou em algum bar ou balada. Tenho certeza que vai perceber que falta algo e vai conseguir perceber que poucas estão no caminho do autoconhecimento e muitos estão no caminho da santificação e adoração de seus corpos como algo divino que todos devem admirar e perseguir como a última salvação. Isso é que é virtude!! Por isso Gandhi era tão malhado e fazia dieta low carb (não contém ironia).

Eu não quero focar neste grupo, até porque, mesmo estando convencido de que se trata do grupo maior, sei também que as pessoas que vêm no corpo a base para a saúde, e que entendem que a mente inteligente e capaz é o que pode proporcionar vida boa, essas pessoas são os moldes a serem seguidos. Seu comportamento pessoal e social as diferenciam muito do primeiro grupo, apesar de estarem no mesmo ambiente. 

Na verdade, para indicar a existência do primeiro grupo eu poderia relacionar os risíveis números educacionais, de leitura, de violência, de trabalho, emprego e de renda do país, que conta com a geração jovem mais bonita e malhada que já se viu, para subsidiar minha linha de raciocínio, não para provar algo, mas só para margear a questão.  Seria interessante. Mas vamos considerar, então, o outro grupo, das pessoas jovens, lindas, malhadas, inteligentes, produtivas e prósperas, no sentido total dado pela OMS logo abaixo. Estas sim, me parecem estar verdadeiramente à procura de algo mais que beleza física.

Figura 2 – Beleza física não é nada sem uma vida virtuosa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, destacando sua importância integral no desenvolvimento humano. Temos um problema aqui, pois as pessoas estão bonitas fisicamente, mas estão com o mental abalado por todos os transtornos e traumas imagináveis e o social em baixa, pois faltam habilidades relacionadas à inteligência e cultura necessárias (se já assistiu a algum reality show, sabe do que estou falando). O campo social também exige, a certo modo, que se tenha um trabalho ou profissão honrosa e edificante que possibilite condições financeiras suficientes para “estar” em sociedade com um pouco de qualidade, é claro.

Entenda que a qualidade social que menciono aqui é no sentido de poder de fato ir a cinemas, teatros, desfrutar de lazer com amigos e família; ou qualquer outra atividade social edificante, só citei alguns exemplos. Isso é vida social, ou mesmo, estado social de qualidade. Se você não tem condição alguma de desfrutar de coisas assim, perceba que você não vive socialmente, você apenas existe em um mundo social e, mesmo assim, você sobrevive como um animal na jaula, apenas isso. Ter condições e optar por não estar em sociedade é uma coisa. Não estar em sociedade porque não tem condições nenhuma, é outra coisa bem diferente e triste.

Com que expomos até agora, já é possível perceber o que falta para que todos nós possamos acessar, de fato, um desenvolvimento pessoal efetivo. Beleza já não é mais suficiente. Talvez, a beleza e saúde juntos, também não sejam mais os alvos a serem alcançados. Não é só isso que interessa. Existe sim pressa para atingir o que está faltando, e já dá pra saber o que é. Vamos revisitar os termos destacados anteriormente aqui no texto:

  • vida virtuosa;
  • moralidade;
  • meditação; 
  • harmonia; 
  • estilo de vida.

Lendo essa lista de destaques, com certeza o amigo leitor vai dizer: “mas sempre foi isso, você está sendo redundante, é isso que significa saúde e bem-estar”. Certo. Mas vamos estreitar mais o significado dessas palavras? Não é justo generalizar o que elas representam até chegar ao ponto de simplificar e reduzir todas elas a um simples bem-estar, que por si só, é um significado muito vago. Muitas vezes eu sinto bem-estar, sentado no vaso de manhã, assistindo a vídeos de aviação no Youtube, e isso não tem nada de virtuoso, moral e não é um estilo de vida a ser seguido.

Eu olho pra essa lista e entendo que as pessoas que estão buscando ou querem buscar estes conceitos, querem mesmo é uma vida completamente diferente das pessoas que descrevi no início (as adoradoras de corpos). Me parece que elas querem ser inteligentes, aprender sobre uma verdade fática, querem ser melhores a partir de uma moral também fática e observável. Elas querem ter equilíbrio em suas vidas financeiras, querem meditar sobre filosofia, psicologia e resolver, de fato e eficientemente, seus problemas do dia a dia e da vida como um todo. Eu consigo até sentir que elas querem conhecimento para reconstruir suas bases familiares, espirituais e religiosas. Enfim, dá pra perceber que saúde e bem-estar não irão fazer sentido se o indivíduo não obter as habilidades necessárias para SER um humano útil e, consequentemente, SER um humano de verdade.

Não sei dizer ao certo sobre as estatísticas reais relacionadas sobre o assunto, mas percebo que ser apenas um rostinho bonito vem perdendo, a passos curtos e lentos, é claro, a relevância. Com a modernidade tecnológica e o acesso irrestrito à informação, as pessoas estão conhecendo também outras culturas e realidades. Mudanças dramáticas estão acontecendo e podem ser percebidas bem de perto, e isso trouxe a necessidade de ser mais e saber mais que agora para não “sobreviver em jaulas”.

Para que este artigo não fique cansativo, vamos explorar quais são os outros fatores necessários para o desenvolvimento pessoal em outro artigo chamado “O que mais é preciso para o desenvolvimento pessoal?”. Aqui, abordamos a problemática de simplesmente ter beleza física e não possuir saúde mental e emocional. O tema é extenso  e aberto a diversas interpretações, mas acho que podemos identificar um bom termo.

Até a próxima!

Por Rod (Veja Claramente)

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