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Tecnologia e Informação. Benefícios, perturbações e sofrimentos

Computador ao lado de uma máquina de escrever

💻 Tecnologia e informação causam perturbações e sofrimentos diversos em muitas pessoas pelo mundo. Muitas são as causas, mas identifiquei quatro fatores que considero serem os mais influentes atualmente na causa dessas dores. Leia e confira os motivos e perceba se faz sentido ou não a ocorrência em sua própria vida. 📲

Como a tecnologia e informação podem causar perturbações? 

Parece que não, mas tecnologia é um tema que atualmente atormenta muitas vidas. Não só porque divide pessoas entre os grupos dos que amam dos que odeiam, mas pelo simples fato de ser inevitável. Não busco aqui concordância ou discussão a respeito, pois tecnologia e informação são inevitáveis. Estranho afirmar isso, eu sei, mas é a mais pura verdade. Mas deixa eu te afirmar novamente uma coisa: a tecnologia é exatamente isso mesmo atualmente. Ela se tornou inevitável com o tempo, sem volta, ninguém percebeu e agora ela já tem seu lugar e papel aí, do seu lado. 

Talvez a palavra inevitável, o leitor possa achar que foi exagerada, mas não foi não. É só pensar um porquinho e deixar coisas triviais virem à tona. Sua escova de dente é inevitável? Seu cartão de crédito também é? Seja honesto. Seu batom, seu laptop, seu carro, a mamadeira do seu bebê, o controle eletrônico do seu portão. Posso apelar por mais um pouco de tecnologia? Seu celular, sua rede social, seu emprego, sua insulina ou remédio para pressão… que tal? Precisamos discutir a palavra inevitável? Continue sendo franco, leitor… Seus entes amados, ou até mesmo Deus, recebem a mesma alcunha de inevitáveis em suas vidas? Bem… vamos continuar, estamos só no começo. 

Perceba que eu citei apenas tecnologias triviais relacionados a produtos do dia a dia. A importância dos benefícios da tecnologia pode ainda ser verificada a nível de revolução industrial, comunicação global, medicina, educação, etc. A tecnologia e a consequente distribuição de informação foram tão benéficas, trouxeram avanços indiscutíveis. Os ganhos na saúde geral, no conforto diário alcançado pelas pessoas em suas vidas cotidianas também considero são inegáveis. Ponto pacífico. 

Engraçado que os malefícios podem também ser facilmente verificados, da mesma forma que os benefícios. Os problemas são muitos. Apesar dos avanços, a tecnologia e a informação começaram a gerar perturbações significativas na sociedade contemporânea. O excesso de informações, conhecido como sobrecarga cognitiva, tem causado dificuldades de concentração e aumento da ansiedade. As redes sociais, embora conectem pessoas, também se tornaram palco para desinformação, polarização e perda de identidade coletiva. 

👉 Confira este artigo para saber mais: Relações Autênticas na Era Digital.

Como algo tão benéfico pode perturbar e prejudicar pessoas? Até porque formou-se um empate. Temos, então benefícios e malefícios concorrendo em grande escala. Há de se concluir que é só uma questão de equilíbrio? De uso pessoal ou apenas uma questão de sorte de quem será o beneficiado ou o injuriado da vez pela tecnologia? Não acho que é tão simples, pois me parece que as notícias e estudos a respeito dos efeitos negativos da tecnologia e da informação estão na vanguarda. Talvez seja marketing? Pode. Então vamos abordar possíveis causas das perturbações e verificar se é procedente ou não. 

Mulher chorando diante um computador
Mulher chorando diante um computador

Para isso, vou levantar 4 fatores de observação: 

  • O Excesso de Estímulos; 
  • O Efeito Bolha dos Algoritmos de IA; 
  • A Automação de Decisões; e 
  • Desemprego Tecnológico e a Crise de Propósito.

São muitos os fatores que poderia ter levantado, na verdade. No entanto, me pareceu pertinente discorrer sobre os efeitos destes na atualidade. Me parece que eles têm um poder objetivo muito evidente no modo em que estamos vivendo, tomando decisões e sofrendo certas consequências diretas da tecnologia. Vamos para cada um. 

O excesso de estímulos causados pela tecnologia 

Nunca antes tivemos tanto acesso à informação. Todo o tipo de informação, precisando ou não, temos informações úteis e inúteis também. Nos tempos sem tecnologia, as pessoas buscavam apenas a informação que precisavam para resolver seus problemas imediatos e pronto. Agora não. Desde fofocas, espaço, planetas, alienígenas, governo, matemática, física, clima. A tecnologia faz questão de disponibilizar a você tudo aquilo que você não queria saber e não precisava se preocupar na vida. Problemas que você não teria se não soubesse, agora tem porque soube. E, de repente, vai dormir, ou não, com um problema que não é seu. 

As redes sociais, com notícias 24 horas por dia e as atualizações constantes em tempo real criam um ambiente de sobrecarga informacional. Embora isso nos conecte ao mundo, também nos distrai e afasta de nós mesmos. O excesso de informações gera um estado constante de alerta e agitação mental que nunca experimentamos antes, e não aprendemos a lidar com isso. Não é algo natural para nossa mente. 

O acesso desenfreado à informação promoveu um “ruído” mental e fadiga cognitiva, em que nos tornamos incapazes de distinguir o que é realmente relevante ou não, e ainda damos toda a importância. Muitas vezes, estamos mais preocupados em absorver novas informações e opiniões do que em processar o que já sabemos e sentimos internamente. Isso afetou profundamente nossa capacidade de desenvolver uma identidade própria, autêntica, levando a uma confusão sobre quem realmente somos e do que realmente precisamos para viver. Isso é muito sério. 

O Efeito Bolha dos algoritmos e a personalização excessiva

Esse efeito é quase imperceptível e traz um dano muito grave, pois afeta a nossa perspectiva sobre a realidade das coisas, dos fatos. Cria uma realidade paralela e não tão saudável quando percebemos. De repente, a tecnologia faz com que você ache que sua realidade é a certa, a verdadeira, ignorando qualquer outro fator que contradiz o que você pensa ou vê. É uma armadilha, uma isca perfeita de sedução comercial perfeita, e os resultados quase sempre são catastróficos na vida das pessoas. 

Essa personalização excessiva, promovida pelos algoritmos que moldam o que vemos e consumimos online, pode ser perigosa. Ao limitar nossa exposição a novas ideias e manter-nos em bolhas de informações confortáveis, a IA reforça nossas crenças existentes e restringe nosso crescimento pessoal, pois protege você daquilo que incomoda, te desobrigando de raciocinar sobre pontos divergentes. 

Polarização radical de ideias, crenças, pensamentos e opiniões são o objetivo das bolhas dos algoritmos porque eles foram escritos para manter você em um nicho comercial e ideológico, ao ponto da pessoa se tornar um fiel cego, radical e consumidor das ideias e produtos da bolha, combatendo tudo e todos do contrário. Chamo isso de escravidão moderna trazida pela tecnologia. 

Quando somos constantemente alimentados com conteúdo que validam o que já pensamos, deixamos de nos questionar e evoluir. A exposição limitada reduz nossa capacidade de reflexão crítica e nos impede de desenvolver uma visão mais ampla e rica do mundo e de nós mesmos. 

Homem em sua bolha feliz
Homem em sua bolha feliz

A dependência e a perda de autonomia 

Outro ponto muito grave aqui. É certo que a tecnologia nos possibilitou facilidades operacionais excepcionais com a automação de processos, no trabalho, em casa e em muitas coisas do dia a dia, relacionadas a produtividade e ganhos de eficiência em muitas coisas. Mas não cito aqui processos mentais importantes de tomada de decisão, de coisas que só a mente humana deve se responsabilizar. 

Com o crescimento das tecnologias de IA, muitos de nossos processos de decisão têm sido automatizados. Decisões que humanos devem tomar, nós a concedemos à tecnologia. Aplicativos de IA que ajudam a organizar nossas finanças, planejar dietas ou até mesmo melhorar nossos relacionamentos estão ganhando popularidade. No entanto, ao delegar decisões tão importantes às máquinas, enfraquecemos nossa própria capacidade de julgamento e tomada de decisões conscientes. Até pra escolher o que comer e vestir, delegamos a decisão. 

Quando outorgamos essas responsabilidades e deixamos que a tecnologia determine o que é melhor para nós, perdemos a capacidade de aprender com nossos erros e desenvolver uma compreensão mais profunda de nossos desejos, valores e necessidades. Foi essa capacidade de aprendizagem que nos tirou das cavernas e nos colocou no topo da cadeia. Agora temos preguiça até de pensar e decidir em nível básico. As consequências desse erro já são visíveis e trágicas. 

O desemprego e a crise de propósito

Não há dúvidas que dos quatro itens que levantei que trazem perturbações, o desemprego é o que mais deve ter esse poder. Desde sempre aprendemos que o trabalho dignifica o homem. Isso é assim em qualquer país ou cultura. Então temos que o problema não é só o desemprego em si, trata-se de perda da dignidade, um bem de valor intangível. E como uma coisa tão importante, de valor imensurável pode simplesmente ser tomado pela tecnologia

A automação do trabalho não é algo novo e sempre foi, e muito, incentivada. Povos antigos já faziam isso para a sobrevivência, os povos modernos evoluíram as técnicas e agora, os “povos tecnológicos” – nossa época, simplesmente levaram a coisa ao estado da arte, porque a tecnologia já possui a informação necessária para executar qualquer tarefa conhecida, ou quase todas necessárias para gerar o caos. 

Milhares de profissionais documentaram suas atividades, seus processos, suas artes ao passar do tempo. Registraram como se faz, identificaram os erros e como não realizar um determinado processo ou ação. Ensinaram tudo a todos. Inevitável perceber o que aconteceria, não é mesmo? Por que não fazer tudo mais rápido, melhor e mais barato? Eis a resposta; é autoexplicativa e está feito. Viva as máquinas. 

Quem estudou em algum momento as teorias da administração ou participou de alguma palestra de motivação no trabalho vai se lembrar de um monte de historinhas sobre eficiência, sobre aquele colaborador que ganhou o aumento porque fez melhor com os mesmos recursos que outro, etc. É quase a mesma coisa, só que agora o trabalhador perdeu seu posto pra um robô ou algoritmo. De certa forma, construímos esse futuro há muito tempo e agora ele é o presente, e nos assombra inevitavelmente. Perdemos. 

Com tudo isso, vejo que o desemprego causado pelos avanços da tecnologia e informação devem ser observados pela ótica da adaptação de forma meio que obrigatória. Quem não se adaptou com o passar do tempo e da tecnologia, não adquiriu outras habilidades ainda não totalmente aprendidas pelas máquinas, ou mais importantes, e quem também não abraçou a tecnologia como intrínseca ao seu trabalho, esse indivíduo simplesmente perdeu seu lugar, está com seu aspecto profissional extinto. Daí, passamos para a crise de propósito. 

Sem emprego, qual é o meu propósito? Com tal questionamento, muitos leitores vão dizer: pergunta absurda! Não é porque alguém perde o emprego que perde seu propósito. Eu concordo. Porém, devemos ser sinceros e perceber que o mundo é maior que nossa casa e nossa vizinhança – principalmente para quem mora em condomínios fechados, pois ali, encontram-se pessoas mais ou menos na mesma situação social em quase todos os aspectos; é quase uma bolha. O meu ponto é quando ligamos desemprego com o conceito de subsistência, do tipo: sem emprego, sem renda; sem renda, sem vida digna. Pense gora: se você não consegue dar uma vida digna para sua família, qual é o seu propósito? Sua utilidade? Poderia escrever livros só sobre isso, mas vamos deixar por aqui. Acho que consegui transmitir as perturbações possíveis, para as pessoas, devido à tecnologia. 

👉 Leia esse artigo sobre IA e desemprego: Desempregado? Hora de virar mestre em IA

Conclusão 

As perturbações e benefícios trazidos pela tecnologia e informação, como vimos, são diversas e podem conter em uma lista infinita quanto mais pessoas forem questionadas a respeito. Identifiquei alguns fatores apenas atendendo aos dois lados. A verdade observável é que benefícios ou perturbações serão válidas até para as mesmas pessoas dependendo apenas da situação, do uso e de qual tecnologia utilizada no momento. Até da hora do dia, na certa, se considerarmos a internet, por exemplo. 

Mas foquei nas tristezas e injúrias causadas. Posso até traçar uma linha de causa e efeito para alinhar os quatro motivos das perturbações. O excesso da tecnologia causou bolhas de visões e pensamentos tirando as pessoas da realidade, ao passo que a automação em massa de atividades triviais arrancou a capacidade de tomada de decisões básicas, porém importantes das pessoas; e como o desemprego causado pela informação repassada às tecnologias ao longo das eras as tornaram melhor que nós na execução de atividades e processos, tirando nossa utilidade e propósito. 

O sofrimento é geral para uma geração de pessoas e uma alegria inovadora para outra. O fato é que as reclamações são crescentes e incessantes por todos os povos do mundo, uns mais outros menos. Países tentam frear esse descontentamento criando políticas de compensação, planejando a implantação de tecnologias, outros tantos tentam controlar as informações, porém, parece não ser possível conter a tendência. Parece filme de ficção científica, mas não é. 

No impasse, só resta tentar conscientizar a todos que sofrem, ao mesmo tempo que se esforce em prepará-los, de alguma forma, para esse fato e necessidade de adaptação e planejamento de futuro. Esta é uma preocupação de empregadores de todo o mundo e vários planos estão em andamento conjuntamente a governos e representantes de trabalhadores. Mas o tempo não espera. Então, que as autoridades e empregadores se apressem e que trabalhadores entendam e se preparem. O que não vai dar, com certeza, é impedir o inevitável. 

Pessoas não tecnológicas diante do abismo
Pessoas não tecnológicas diante do abismo

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Por Rodrigo Gomes Rodrigues