Anápolis, 21 de janeiro de 2026.
Aos meus irmãos com de câncer, onde estiverem.
Inicialmente, saúdo todos vocês apresentando meus desejos de melhoras e cura, seja do melhor modo compreendido e aceito por cada um. Digo assim, pois sigo respeitando as individualidades de fé e crença. Da minha parte, oro a Deus e peço para que o amor do Cristo continue a fluir em nós.
Esta carta não é um manifesto de melancolia, dor e sofrimento, mas sim o começar do tratamento do meu estado, uma vez que entendo agora, deve ter origem na minha própria vontade interior. Não gostaria que achassem que tenho apego por sentimentos quaisquer, mesquinhos, atrelados ao apelo emocional, desses baixos como vemos rem reclamações, murmurações e pragas. A minha intenção é contrária; está justamente em poder falar com vocês sobre nós e nossa condição, sem parecer aos demais que choramos pela atenção e dó de próximos. Pelo menos acho que assim poderei abrir caminho para cura.
Pois bem…
Tenho 45 anos de idade e fui diagnosticado, há um ano e pouco, com um hemangioma cerebral, um tumor de tamanho considerável e de origem desconhecida. Existem outros nomes apontados em diagnóstico médico, que trazem uma melhor definição. No entanto, a palavra tumor me faz mais sentido. Originalmente, meu tumor é benigno e não é agressivo. A questão é sua localização, onde decidiu crescer e se hospedar: é bem embaixo do cérebro, no seio cavernoso, pressionando a parte esquerda do cérebro, nervos ópticos, artérias, aorta e, finalmente a hipófise. Não é operável sem grandes riscos; quimioterapias e radioterapias poderão trazer prejuízos de curto prazo, o que o tumor em si, talvez não traga em longo prazo. Então, a prescrição médica especializada é viver como se ele não existisse, mas acompanhar seu crescimento a cada seis meses. Quisera eu que fosse fácil assim.
Estou certo de vão entender isso muito bem e até melhor que eu. Talvez até se lembrem do momento em que ouviam suas opções de tratamento.
Porém, esta mensagem não deve ser um registro médico detalhado; apenas apresento o meu câncer ao seus, expresso o meu caso aos seus, com a intenção apenas de adquirir a propriedade de comungar e pedir uma espécie de licença figurativa para falar disso e sobre isso. Faço não só por indicação psicológica, mas para tentar vencer minha própria teimosia – esta que me segue desde os momentos anteriores da existência. Profissionais me orientaram que entender, aceitar e falar sobre o fato de ter câncer me ajudaria na caminhada, mas o que me traz aqui e escrever esta carta é o que, penso eu, ser a motivação maior: a dor. A dor da perda. A perda e a dor, quem sabe.
Sim, em pouco mais de um ano já perdi muito, assim como vocês também, imagino. Mas sei que há muito a ganhar, acho que começo a perceber; e seria um sentimento glorioso se eu pudesse aprender com vocês. Uso desta ocasião para pedir-lhes isso, justamente. Só terá sentido o meu falar se também falarem; só existirá melhora se me compartilharem a sua melhora; e só poderei obter ajuda se, e somente se, puderem me ajudar. É meu pedido.
Continuarei falando e escrevendo sobre o câncer. Todavia, será de maneira a compreender as dimensões da vida, o impacto sobre fatores que determinam o dia a dia, e com uma espécie de determinação em identificar ferramentas, de quaisquer tipos, que ajudem a seguir com essa missão, por assim dizer, de ter câncer – seja passageiro ou de forma definitiva. Sei que já existem muitas, mas parece que devo encontrá-las e ajustá-las a minha vereda. Não discuto sobre estar absolutamente certo de que encontrarei amparo em suas vitórias.
Sem mais por enquanto, espero que esta mensagem os encontre em pleno gozo das capacidades divinas de suportar e superar.
Não tenho dúvidas que, brevemente, compartilharemos.
O Senhor é conosco! 🛐
Rodrigo Gomes Rodrigues.
Um iniciante no caminho

