👉 “Há uma saturação em relação ao racionalismo, e precisamos falar em outras formas de construir o conhecimento”, diz o sociólogo francês Michel Maffesoli em entrevista à BBC News Brasil. Confira a entrevista completa clicando aqui. 📝
👉 O blog dá as boas-vindas a 2025. Um novo ciclo repleto de oportunidades para refletir, crescer e transformar nossas vidas. Inspirados pelo Veja Claramente, compartilho ideias e reflexões sobre como iniciar o ano com propósito, equilíbrio e clareza. 🤓
💻 Tecnologia e informação causam perturbações e sofrimentos diversos em muitas pessoas pelo mundo. Muitas são as causas, mas identifiquei quatro fatores que considero serem os mais influentes atualmente na causa dessas dores. Leia e confira os motivos e perceba se faz sentido ou não a ocorrência em sua própria vida. 📲
Como a tecnologia e informação podem causar perturbações?
Parece que não, mas tecnologia é um tema que atualmente atormenta muitas vidas. Não só porque divide pessoas entre os grupos dos que amam dos que odeiam, mas pelo simples fato de ser inevitável. Não busco aqui concordância ou discussão a respeito, pois tecnologia e informação são inevitáveis. Estranho afirmar isso, eu sei, mas é a mais pura verdade. Mas deixa eu te afirmar novamente uma coisa: a tecnologia é exatamente isso mesmo atualmente. Ela se tornou inevitável com o tempo, sem volta, ninguém percebeu e agora ela já tem seu lugar e papel aí, do seu lado.
Talvez a palavra inevitável, o leitor possa achar que foi exagerada, mas não foi não. É só pensar um porquinho e deixar coisas triviais virem à tona. Sua escova de dente é inevitável? Seu cartão de crédito também é? Seja honesto. Seu batom, seu laptop, seu carro, a mamadeira do seu bebê, o controle eletrônico do seu portão. Posso apelar por mais um pouco de tecnologia? Seu celular, sua rede social, seu emprego, sua insulina ou remédio para pressão… que tal? Precisamos discutir a palavra inevitável? Continue sendo franco, leitor… Seus entes amados, ou até mesmo Deus, recebem a mesma alcunha de inevitáveis em suas vidas? Bem… vamos continuar, estamos só no começo.
Perceba que eu citei apenas tecnologias triviais relacionados a produtos do dia a dia. A importância dos benefícios da tecnologia pode ainda ser verificada a nível de revolução industrial, comunicação global, medicina, educação, etc. A tecnologia e a consequente distribuição de informação foram tão benéficas, trouxeram avanços indiscutíveis. Os ganhos na saúde geral, no conforto diário alcançado pelas pessoas em suas vidas cotidianas também considero são inegáveis. Ponto pacífico.
Engraçado que os malefícios podem também ser facilmente verificados, da mesma forma que os benefícios. Os problemas são muitos. Apesar dos avanços, a tecnologia e a informação começaram a gerar perturbações significativas na sociedade contemporânea. O excesso de informações, conhecido como sobrecarga cognitiva, tem causado dificuldades de concentração e aumento da ansiedade. As redes sociais, embora conectem pessoas, também se tornaram palco para desinformação, polarização e perda de identidade coletiva.
Como algo tão benéfico pode perturbar e prejudicar pessoas? Até porque formou-se um empate. Temos, então benefícios e malefícios concorrendo em grande escala. Há de se concluir que é só uma questão de equilíbrio? De uso pessoal ou apenas uma questão de sorte de quem será o beneficiado ou o injuriado da vez pela tecnologia? Não acho que é tão simples, pois me parece que as notícias e estudos a respeito dos efeitos negativos da tecnologia e da informação estão na vanguarda. Talvez seja marketing? Pode. Então vamos abordar possíveis causas das perturbações e verificar se é procedente ou não.
Mulher chorando diante um computador
Para isso, vou levantar 4 fatores de observação:
O Excesso de Estímulos;
O Efeito Bolha dos Algoritmos de IA;
A Automação de Decisões; e
Desemprego Tecnológico e a Crise de Propósito.
São muitos os fatores que poderia ter levantado, na verdade. No entanto, me pareceu pertinente discorrer sobre os efeitos destes na atualidade. Me parece que eles têm um poder objetivo muito evidente no modo em que estamos vivendo, tomando decisões e sofrendo certas consequências diretas da tecnologia. Vamos para cada um.
O excesso de estímulos causados pela tecnologia
Nunca antes tivemos tanto acesso à informação. Todo o tipo de informação, precisando ou não, temos informações úteis e inúteis também. Nos tempos sem tecnologia, as pessoas buscavam apenas a informação que precisavam para resolver seus problemas imediatos e pronto. Agora não. Desde fofocas, espaço, planetas, alienígenas, governo, matemática, física, clima. A tecnologia faz questão de disponibilizar a você tudo aquilo que você não queria saber e não precisava se preocupar na vida. Problemas que você não teria se não soubesse, agora tem porque soube. E, de repente, vai dormir, ou não, com um problema que não é seu.
As redes sociais, com notícias 24 horas por dia e as atualizações constantes em tempo real criam um ambiente de sobrecarga informacional. Embora isso nos conecte ao mundo, também nos distrai e afasta de nós mesmos. O excesso de informações gera um estado constante de alerta e agitação mental que nunca experimentamos antes, e não aprendemos a lidar com isso. Não é algo natural para nossa mente.
O acesso desenfreado à informação promoveu um “ruído” mental e fadiga cognitiva, em que nos tornamos incapazes de distinguir o que é realmente relevante ou não, e ainda damos toda a importância. Muitas vezes, estamos mais preocupados em absorver novas informações e opiniões do que em processar o que já sabemos e sentimos internamente. Isso afetou profundamente nossa capacidade de desenvolver uma identidade própria, autêntica, levando a uma confusão sobre quem realmente somos e do que realmente precisamos para viver. Isso é muito sério.
O Efeito Bolha dos algoritmos e a personalização excessiva
Esse efeito é quase imperceptível e traz um dano muito grave, pois afeta a nossa perspectiva sobre a realidade das coisas, dos fatos. Cria uma realidade paralela e não tão saudável quando percebemos. De repente, a tecnologia faz com que você ache que sua realidade é a certa, a verdadeira, ignorando qualquer outro fator que contradiz o que você pensa ou vê. É uma armadilha, uma isca perfeita de sedução comercial perfeita, e os resultados quase sempre são catastróficos na vida das pessoas.
Essa personalização excessiva, promovida pelos algoritmos que moldam o que vemos e consumimos online, pode ser perigosa. Ao limitar nossa exposição a novas ideias e manter-nos em bolhas de informações confortáveis, a IA reforça nossas crenças existentes e restringe nosso crescimento pessoal, pois protege você daquilo que incomoda, te desobrigando de raciocinar sobre pontos divergentes.
Polarização radical de ideias, crenças, pensamentos e opiniões são o objetivo das bolhas dos algoritmos porque eles foram escritos para manter você em um nicho comercial e ideológico, ao ponto da pessoa se tornar um fiel cego, radical e consumidor das ideias e produtos da bolha, combatendo tudo e todos do contrário. Chamo isso de escravidão moderna trazida pela tecnologia.
Quando somos constantemente alimentados com conteúdo que validam o que já pensamos, deixamos de nos questionar e evoluir. A exposição limitada reduz nossa capacidade de reflexão crítica e nos impede de desenvolver uma visão mais ampla e rica do mundo e de nós mesmos.
Homem em sua bolha feliz
A dependência e a perda de autonomia
Outro ponto muito grave aqui. É certo que a tecnologia nos possibilitou facilidades operacionais excepcionais com a automação de processos, no trabalho, em casa e em muitas coisas do dia a dia, relacionadas a produtividade e ganhos de eficiência em muitas coisas. Mas não cito aqui processos mentais importantes de tomada de decisão, de coisas que só a mente humana deve se responsabilizar.
Com o crescimento das tecnologias de IA, muitos de nossos processos de decisão têm sido automatizados. Decisões que humanos devem tomar, nós a concedemos à tecnologia. Aplicativos de IA que ajudam a organizar nossas finanças, planejar dietas ou até mesmo melhorar nossos relacionamentos estão ganhando popularidade. No entanto, ao delegar decisões tão importantes às máquinas, enfraquecemos nossa própria capacidade de julgamento e tomada de decisões conscientes. Até pra escolher o que comer e vestir, delegamos a decisão.
Quando outorgamos essas responsabilidades e deixamos que a tecnologia determine o que é melhor para nós, perdemos a capacidade de aprender com nossos erros e desenvolver uma compreensão mais profunda de nossos desejos, valores e necessidades. Foi essa capacidade de aprendizagem que nos tirou das cavernas e nos colocou no topo da cadeia. Agora temos preguiça até de pensar e decidir em nível básico. As consequências desse erro já são visíveis e trágicas.
O desemprego e a crise de propósito
Não há dúvidas que dos quatro itens que levantei que trazem perturbações, o desemprego é o que mais deve ter esse poder. Desde sempre aprendemos que o trabalho dignifica o homem. Isso é assim em qualquer país ou cultura. Então temos que o problema não é só o desemprego em si, trata-se de perda da dignidade, um bem de valor intangível. E como uma coisa tão importante, de valor imensurável pode simplesmente ser tomado pela tecnologia.
A automação do trabalho não é algo novo e sempre foi, e muito, incentivada. Povos antigos já faziam isso para a sobrevivência, os povos modernos evoluíram as técnicas e agora, os “povos tecnológicos” – nossa época, simplesmente levaram a coisa ao estado da arte, porque a tecnologia já possui a informação necessária para executar qualquer tarefa conhecida, ou quase todas necessárias para gerar o caos.
Milhares de profissionais documentaram suas atividades, seus processos, suas artes ao passar do tempo. Registraram como se faz, identificaram os erros e como não realizar um determinado processo ou ação. Ensinaram tudo a todos. Inevitável perceber o que aconteceria, não é mesmo? Por que não fazer tudo mais rápido, melhor e mais barato? Eis a resposta; é autoexplicativa e está feito. Viva as máquinas.
Quem estudou em algum momento as teorias da administração ou participou de alguma palestra de motivação no trabalho vai se lembrar de um monte de historinhas sobre eficiência, sobre aquele colaborador que ganhou o aumento porque fez melhor com os mesmos recursos que outro, etc. É quase a mesma coisa, só que agora o trabalhador perdeu seu posto pra um robô ou algoritmo. De certa forma, construímos esse futuro há muito tempo e agora ele é o presente, e nos assombra inevitavelmente. Perdemos.
Com tudo isso, vejo que o desemprego causado pelos avanços da tecnologia e informação devem ser observados pela ótica da adaptação de forma meio que obrigatória. Quem não se adaptou com o passar do tempo e da tecnologia, não adquiriu outras habilidades ainda não totalmente aprendidas pelas máquinas, ou mais importantes, e quem também não abraçou a tecnologia como intrínseca ao seu trabalho, esse indivíduo simplesmente perdeu seu lugar, está com seu aspecto profissional extinto. Daí, passamos para a crise de propósito.
Sem emprego, qual é o meu propósito? Com tal questionamento, muitos leitores vão dizer: pergunta absurda! Não é porque alguém perde o emprego que perde seu propósito. Eu concordo. Porém, devemos ser sinceros e perceber que o mundo é maior que nossa casa e nossa vizinhança – principalmente para quem mora em condomínios fechados, pois ali, encontram-se pessoas mais ou menos na mesma situação social em quase todos os aspectos; é quase uma bolha. O meu ponto é quando ligamos desemprego com o conceito de subsistência, do tipo: sem emprego, sem renda; sem renda, sem vida digna. Pense gora: se você não consegue dar uma vida digna para sua família, qual é o seu propósito? Sua utilidade? Poderia escrever livros só sobre isso, mas vamos deixar por aqui. Acho que consegui transmitir as perturbações possíveis, para as pessoas, devido à tecnologia.
As perturbações e benefícios trazidos pela tecnologia e informação, como vimos, são diversas e podem conter em uma lista infinita quanto mais pessoas forem questionadas a respeito. Identifiquei alguns fatores apenas atendendo aos dois lados. A verdade observável é que benefícios ou perturbações serão válidas até para as mesmas pessoas dependendo apenas da situação, do uso e de qual tecnologia utilizada no momento. Até da hora do dia, na certa, se considerarmos a internet, por exemplo.
Mas foquei nas tristezas e injúrias causadas. Posso até traçar uma linha de causa e efeito para alinhar os quatro motivos das perturbações. O excesso da tecnologia causou bolhas de visões e pensamentos tirando as pessoas da realidade, ao passo que a automação em massa de atividades triviais arrancou a capacidade de tomada de decisões básicas, porém importantes das pessoas; e como o desemprego causado pela informação repassada às tecnologias ao longo das eras as tornaram melhor que nós na execução de atividades e processos, tirando nossa utilidade e propósito.
O sofrimento é geral para uma geração de pessoas e uma alegria inovadora para outra. O fato é que as reclamações são crescentes e incessantes por todos os povos do mundo, uns mais outros menos. Países tentam frear esse descontentamento criando políticas de compensação, planejando a implantação de tecnologias, outros tantos tentam controlar as informações, porém, parece não ser possível conter a tendência. Parece filme de ficção científica, mas não é.
No impasse, só resta tentar conscientizar a todos que sofrem, ao mesmo tempo que se esforce em prepará-los, de alguma forma, para esse fato e necessidade de adaptação e planejamento de futuro. Esta é uma preocupação de empregadores de todo o mundo e vários planos estão em andamento conjuntamente a governos e representantes de trabalhadores. Mas o tempo não espera. Então, que as autoridades e empregadores se apressem e que trabalhadores entendam e se preparem. O que não vai dar, com certeza, é impedir o inevitável.
📝 Este artigo analisa a crescente priorização da gratificação instantânea na sociedade moderna em detrimento do esforço e da reflexão profunda. Explora os impactos na cognição, cultura e desenvolvimento humano, sugerindo alternativas para equilibrar essa dualidade. 🧠
Introdução – Gratificação instantânea
Prazer imediato e sem esforço. A sociedade moderna está cada vez mais orientada para a gratificação instantânea. O avanço da tecnologia, especialmente com as redes sociais e o entretenimento digital, reforçou uma cultura do imediatismo, onde o esforço contínuo e a paciência são frequentemente deixados de lado. No entanto, esse fenômeno tem consequências significativas para a cognição, o desenvolvimento humano e a busca pelo conhecimento. Enquanto o prazer imediato oferece satisfação rápida, o aprendizado profundo exige dedicação e tempo. Este artigo explora essa dualidade e propõe caminhos para restaurar o equilíbrio.
O cérebro e a dopamina: O chamado do prazer imediato
A gratificação instantânea tem uma base neurocientífica. O cérebro humano é programado para buscar recompensas rápidas, um mecanismo que evoluiu para garantir a sobrevivência. Quando realizamos atividades prazerosas, como consumir conteúdo nas redes sociais ou jogar um videogame, o cérebro libera dopamina, o neurotransmissor associado ao prazer e à motivação. Esse ciclo de recompensa cria um vício comportamental, tornando mais difícil investir tempo e esforço em atividades que não fornecem prazer imediato.
Plataformas digitais exploram esse mecanismo para maximizar o engajamento, tornando a distração uma constante. Em contrapartida, o aprendizado profundo e a reflexão demandam esforço e paciência, oferecendo recompensas de longo prazo. A conquista do conhecimento verdadeiro requer repetição, análise crítica e superação de dificuldades, elementos que contrastam diretamente com a cultura da resposta rápida e superficial.
Filosofia e psicologia: Reflexão versus distração
Desde os tempos antigos, filósofos argumentam sobre a importância da contemplação e do pensamento crítico. Sócrates defendia o autoconhecimento, Nietzsche falava sobre a superação pessoal e Viktor Frankl enfatizava a busca por sentido. No entanto, a sociedade contemporânea parece seguir um caminho oposto, priorizando distrações passageiras.
A psicologia moderna reforça esse alerta. Estudos mostram que o consumo excessivo de entretenimento rápido pode enfraquecer a autodisciplina e reduzir a capacidade de concentração. Além disso, o hábito de sempre buscar estímulos rápidos pode levar à procrastinação e à dificuldade de manter esforços em projetos de longo prazo. O aprendizado exige persistência, algo que se torna cada vez mais desafiador em uma sociedade que valoriza recompensas imediatas.
O impacto dessa cultura se reflete em diversas áreas da sociedade. Na educação, professores relatam dificuldades em manter a atenção dos alunos, que estão acostumados com estímulos rápidos e interativos. O consumo superficial de informação também contribui para uma sociedade menos crítica, onde opiniões são formadas com base em manchetes e não em análises aprofundadas.
Além disso, as relações interpessoais também são afetadas. A cultura do descartável, incentivada por aplicativos e redes sociais, enfraquece o comprometimento e a construção de conexões significativas. O imediatismo não se limita ao consumo de entretenimento, mas também influencia a forma como as pessoas lidam com amizades, trabalho e até mesmo com suas próprias emoções.
O Estoicismo como antídoto: Retomando o valor do esforço
Uma abordagem que pode ajudar a reverter esse cenário é o estoicismo. Os estoicos defendiam o domínio das emoções, a valorização do esforço e a resiliência diante das dificuldades. Em um mundo que preza pela gratificação instantânea, recuperar esses princípios pode ser essencial para promover um crescimento real e duradouro.
O modelo Veja Claramente enfatiza a necessidade de equilíbrio entre o entretenimento saudável e o desenvolvimento intelectual. Isso não significa eliminar completamente momentos de prazer e lazer, mas sim adotar um consumo mais consciente e direcionado. Pequenas mudanças, como reduzir o tempo de tela, praticar a leitura profunda e estabelecer metas de aprendizado, podem fazer grande diferença na forma como o conhecimento é adquirido e aplicado.
👉 DICA: Saiba mais sobre o Estoicismo como uma ferramenta para ajudar a viver melhor. 👸🏼
Conclusão
A sociedade está cada vez mais imersa na cultura da gratificação instantânea, o que compromete o desenvolvimento da disciplina e do pensamento crítico. No entanto, é possível reverter essa tendência com escolhas conscientes e um retorno ao valor do esforço. Ao adotar práticas que incentivem a reflexão e o aprendizado profundo, é possível encontrar um equilíbrio entre entretenimento e conhecimento.
Como primeiro passo, recomenda-se reduzir o consumo de conteúdos superficiais e investir mais tempo em atividades que promovam o crescimento pessoal. Pequenas mudanças na rotina podem fortalecer a autodisciplina e resgatar a importância da dedicação. Em última instância, escolher entre o prazer imediato e o esforço produtivo é uma decisão individual, mas que pode definir a qualidade da vida a longo prazo.
Mulher flutuando
“Seguir pelo caminho mais fácil sempre foi apontado em todo tipo de literatura como a escolha ruim a se tomar. E não aprendemos nada, pois ainda caímos nessa armadilha com toda a satisfação e ciência possíveis.” (Por Rod)
🎸As gerações de 60 e 70 tinham um senso de pertencimento mais enraizado devido à estabilidade das estruturas sociais e culturais, enquanto as gerações de 90 em diante enfrentam maior dificuldade por causa da fragmentação das referências identitárias e da hiperexposição proporcionada pela tecnologia. 📲
Aceitação e pertencimento. O que significam?
Tenho certeza que que você reconhece que aceitação e pertencimento são sim causas de problemas pessoais e sociais, até mesmo porque um leva ao outro consequentemente. Isso é bem evidente. Mas também sabe que essas duas “condições”, bem consolidadas e firmes em indivíduos maduros e fortes dão origem a uma força grandiosa nessas pessoas. Então, parece ser necessário que existam fatores anteriores que definem as diferenças e semelhanças entre pessoas que se aceitam, que sabem a quem e onde pertençam, e de que forma isso ocorre. Vou discorrer sobre alguns desses possíveis fatores no intuito de entender um pouco mais. Convido o leitor nesta empreitada.
Para fins deste texto, não vou me apegar aos conceitos históricos, etimológicos das palavras e essas coisas intelectuais. Nesse momento, acho melhor me reter no significado mais amplo e prático que cada uma delas têm, considerando o que elas significam em contexto de aceitação social, resignação e assuntos de diversidade nos termos atuais. Imagine também dessa maneira: o que é aceitação? O que uma pessoa simples entende, em si mesma, sobre pertencimento. São duas palavras tão íntimas a cada um do nós, parecem tão perto como nossa própria sombra, por que aceitar e pertencer? Aceitar quem? Quem me aceitar? Eu pertenço ao aqui e agora, pertenço a mim, à família, ao meu pai, minha mãe, meu filho… pertenço a Deus. O que mais há que isso?
Há a necessidade de uma expansão de consciência que precisa sim ser observada para entender o significado dos termos, e acho que ignoramos muito a realidade desta expansão. Não somos e não estamos sozinhos no mundo, e essa é a expansão. Se considerarmos que somos sozinhos, no nosso quarto ou na nossa casa, sem sair, aceitação e pertencimento terão um significado tão estrito que vai parecer mesmo um exagero discutir sobre a utilidade dos termos ou que eles têm tanto significado possível de observação. Mas, olha só a novidade: não somos seres isolados, sozinhos. A verdade é que somos apenas peças de uma sociedade, parte de um todo muito mais forte e importante, e nem vou colocar à prova aqui esse conceito. Quem acha que sozinho está, precisa dar um passo atrás e considerar mais alguns detalhes. Vou deixar aqui o conceito de família e casa (no sentido de que: saia de casa e não estará mais sobre sua individualidade) apenas para deixar o gancho para futuras discussões.
Então vamos focar na realidade fática que não estamos isolados, e que invariavelmente, para existir além de nossos quartos, precisamos realmente que outras pessoas, sistemas ou sociedades precisam nos aceitar estar ali presentes e atuantes; e só se é aceito se, e somente se, pertencermos a este sistema ou sociedade de forma consensual por essa sociedade ou sistema, o que nos mostra que não temos nenhum controle direto sobre as regras de aceitação e pertencimento. Zero controle, na maioria das vezes, pelo menos. Em sociedade, o que temos em nós mesmos sobre se aceitar e pertencer, em nossos “mundinhos”, simplesmente não cabe tão bem quanto sozinhos. Convencionalmente são as regras gerais à princípio, não as individuais, que vão ter mais força quando confrontadas.
Mulher pensativa
Uma visão de mundo entre gerações
Então, temos que aceitação e pertencimento são pertinentes porque estamos em sociedade, pois precisamos sim pertencer a grupos, aceitar regras de muitas maneiras ao passo que também apresentamos regras próprias para que aceitemos ou não pessoas em nosso convívio. Então a questão é: Por que aceitação e pertencimento ainda é causa de perturbações aos indivíduos, e de uma maneira tão extrema? Eu particularmente indico fatores geracionais como candidatos fortes à culpa. Tendo empiricamente a culpar a “visão de mundo e das coisas”, visão extremamente diferente para as três últimas gerações que estão convivendo de forma muito diretamente, compartilhando de forma inédita suas culturas, nível de instrução e suas verdades. Acho que daí nascem as perturbações.
Eu citei as últimas três gerações, mas na verdade é melhor explicitar melhor e considerar duas: as pessoas de nascimento entre as décadas de 60 e 70 em um primeiro grupo e as pessoas que nasceram ou tiveram sua infância/adolescência a partir das décadas de 90 e os anos 2000 em outro grupo. A divisão correta ou pedagógica entre as gerações não é essa, mas aqui serve para mostrar as diferenças gritantes das visões de muito e das coisas entre elas. É realmente gritante. Perceba que deixei de fora o grupo de pessoas que nasceram nos anos 80 e meados de 90. Deixei de fora por considerar uma geração de transição. Nela temos características dos dois extremos de tal forma que, às vezes, nem dá pra saber em qual grupo um indivíduo dessa geração possa estar. A geração de 80 está de mãos ainda seguras nas rédeas e realizando a transição de tudo de um mundo para outro. A geração 80 nasceu em um mundo e entregará outro totalmente diferente, então sua visão preponderante é mista, transitiva, e não vejo que ela deseje manter sua visão para o futuro, mas fomentar a próxima.
Voltando à questão, então. Aceitação e pertencimento perturba todas as pessoas sim, mas acredito que de forma diferente para as pessoas dos grupos geracionais citados. A visão de mundo e das coisas que identifico como fatores “culposos” giram em torno do contexto socioculturais entre esses grupos, principalmente no diz respeito, especificamente, a:
Identidade social;
Música e cultura;
Pressão por autenticidade e conformidade;
Influência da tecnologia.
Para a geração antiga, percebe-se que os itens listados são percebidos de maneira diferente das percebidas pela geração nova. Se o leitor é da geração velha, conhece pessoas dessa geração ou já conversou com elas vai perceber isso facilmente. Vai perceber as nuances se ouvi-las.
A primeira geração viveu em um mundo mais estável. Os papéis sociais eram mais definidos e os questionamentos acerca disso eram poucos frente às necessidades da época. Não que inexistiam, mas o papel da família, religião, trabalho e o ciclo de vida entre estudar, trabalhar, estabelecer família e aposentar já dava a cada um o senso de aceitação do seu dever social e pertencimento social a ser cumprido. Esta era a norma cultural e de conformidade natural. Isso era pertencer a um grupo: família, igreja, casa, escola, trabalho e aposentadoria digna com as conquistas materiais a serem passadas para a prole.
A música e a influência tecnológica, para os primeiros geracionais, são exemplos mais marcantes, pois são os que mais mostram os indivíduos dessa geração apresentando ou expressando suas visões sobre aceitação e pertencimento. Naquela época, a música e a cultura em geral enfatizavam a rebeldia contra sistemas opressores de todos os tipos, mesmo assim, havia um senso de coletividade muito forte e mais maduro que na nova geração. Os movimentos musicais de grupo eram indicativos disso como os hippies, os punks, o movimento disco, etc. As pessoas desses movimentos eram unidas por uma visão coletiva de aceitação que sobrepujava o individualismo. Pertencer a esses grupos significava abrir mão de suas regras e aceitar as regras do grupo. Com a nova geração, não é bem assim.
A influência tecnológica era menor que a influência das ideias do grupo. As pessoas se encontravam em grupos para conversar e expor seus pensamentos e argumentos. Era necessário falar frente a frente e ao vivo. Acredite, isso muda tudo no relacionamento entre as pessoas. No caso, verificamos que a influência da tecnologia para essa geração não foi tão fundamental pelo fato de simplesmente não ser avançada à época. Não existir celular e internet de forma como temos hoje influenciou certamente.
Por sua vez, a nova geração teve sua visão de mundo alterada para esses mesmos quesitos. Para a identidade social e influência tecnológica, creio que são o ponto de partida essencial para as diferenças para a visão de mundo e das coisas. A estabilidade da velha geração não é a mesma aqui. Com a tecnologia, internet e redes sociais veio a hiperconectividade, globalismo, individualismo e a consequente fragmentação dos referenciais que eram tão fortes antigamente.
Quando se fala sobre os quesitos música e cultura e a pressão por autenticidade, percebe-se que a nova geração se tornou tão plural nisso, com tantas variedades de opções disponíveis, tanta informação e caminhos a seguir que a própria identidade individual se tornou fragmentada e fluída ao ponto de gerar mais questionamentos ainda sobre pertencimento e aceitação. Agora, ao invés de pertencer a um grupo pela música ou alguma linha cultural, a pessoa tem a sua própria, para si, onde existe apenas ela mesma com seu fone, sua playlist e sua série. Ninguém mais é aceito ali. Nem pai, nem mãe, nem irmã, nem esposo e nem filhos.
Com tudo isso, a nova geração ainda é pressionada para se encaixar, para ser autêntica. Fico pensando em como isso seria, pois a fragmentação de referências sociais básicas foi intensificada. Não há mais, para a nova geração, a unidade consensual sobre o papel de família, trabalho, religião, amizade, etc. Cada indivíduo da nova geração é um mundo isolado mesmo numa sociedade globalizada. Mesmo com mais pessoas, mais cultura, mais diversidade e mais informação, as novas pessoas se excluíram mutuamente. É uma contradição difícil de lidar. A nova geração não tem critérios de aceitação e pertencimento nem pra elas mesmas em seus próprios quartos. Parece ser bem evidente que a nova geração cresceu com expansiva oferta de oportunidades e opções tais que a melhor escolha é ficar parado, isolado, aguardando sem prosseguir.
Um novo nível de comparação social e autoavaliação agora existe, dificultando o pertencimento, e ele vem agora de fora, de uma tela, não mais do próprio indivíduo com os seus semelhantes sociais. Fica fácil entender o porquê as duas gerações divergem a visão de mundo e das coisas quando se fala em aceitação e pertencimento. É porque são mesmo visões muito deturpadas de conceitos que eram estabelecidos e que foram fragmentados rápido demais e sem que houvesse realmente essa deturpação. Ou seja: olha-se agora para o conceito de família e cultura, por exemplo, de forma diferente, sem que houvesse, de fato, mudança no conceito de família. E ninguém questionou a visão deturpada. Só sobrou se perturbar por não aceitar ou ser aceito e não pertencer a nada.
Homem na montanha
Tentando concluir a visão
A grosso modo, e com tudo que foi exposto, podemos resumir que as gerações de 60 e 70 tinham um senso de pertencimento mais enraizado devido à estabilidade das estruturas sociais e culturais, enquanto as gerações de 90 em diante enfrentam maior dificuldade por causa da fragmentação das referências identitárias e da hiperexposição proporcionada pela tecnologia e a nova ordem de coisas que dela veio.
Vimos que os fatores foram os mesmos para as duas gerações e que, apesar de poucas mudanças, ou quase nenhuma, que sejam fundamentais nesses fatores – música ainda é música e trabalho ainda é trabalho, as visões mudaram muito. Talvez a única diferença entre as visões tenha um aspecto de escassez, de entender o que é suficiente para ser aceito e para pertencer a algo. Parece que para a geração antiga não era preciso muita coisa para se sentir aceito e pertencer aos grupos e ao mundo. A nova geração parece precisar de mais, ela tem mais critérios para atender. Muitos critérios e variáveis que trouxeram, de fato, paralisia.
De toda forma, aceitação e pertencimento, independente da geração a que um indivíduo pertença, não podem ser ignorados, pois é impossível. Da maneira que o leitor encarar esse tema em sua vida deverá fazê-lo com atenção. Ignorar só vai piorar as relações e entender como funciona pode melhorar a vida social e individual, uma vez que o próprio indivíduo precisa se aceitar e pertencer ao seu próprio papel no mundo, mesmo que o mundo seja seu próprio quarto. Você precisará ser aceito pela pessoa do espelho.
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📝 Este artigo explora como a busca moderna por aceitação e pertencimento foi distorcida pelo imediatismo das redes sociais e da superficialidade digital. Enquanto as gerações passadas cultivavam conexões autênticas baseadas na convivência e no propósito, hoje muitos ignoram a sabedoria antiga e caem na armadilha da validação instantânea. 😫
Imagine o seguinte cenário: você está rolando o feed das redes sociais e, de repente, vê aquela enxurrada de gente “vivendo a melhor vida”, cheia de amigos, viagens e frases motivacionais clichês. Você não se sente aceito, que não pertence a lugar nenhum, que está sempre fora do círculo, sempre buscando aceitação. Mas e se eu te disser que o manual para lidar com isso já existe há séculos e você simplesmente ignora? Pois é, bem-vindo ao clube da superficialidade moderna!
O conhecimento estava bem aqui o tempo todo
Desde os tempos antigos, filósofos, pensadores e psicólogos vêm debatendo sobre aceitação e pertencimento. Aristóteles já dizia que somos seres sociais. Os estoicos, por outro lado, ensinavam a buscar a paz interior independente da opinião alheia. A psicologia moderna explica os mecanismos de validação e pertencimento, e a história nos mostra como comunidades fortes sempre foram essenciais para a humanidade. Então por que, em plena era da informação, ainda sofremos tanto com isso?
A resposta é simples: ignoramos o conhecimento antigo e preferimos atalhos fáceis que só pioram o problema.
O culto à superficialidade
Vivemos numa época em que tudo precisa ser rápido, fácil e instantâneo. Quer aprender algo? Um vídeo de 30 segundos no TikTok resolve. Quer um relacionamento? Só deslizar para a direita. Quer se sentir aceito? Posta uma selfie bem produzida e espera os likes chegarem.
Mas aqui está o problema: aceitação e pertencimento reais não vêm disso. A necessidade de pertencer é intrínseca ao ser humano, mas quando buscamos isso na validação instantânea das redes sociais, nos desconectamos de nós mesmos e dos outros. E quanto mais ignoramos o conhecimento antigo que nos ensinaria a lidar com essa necessidade, mais presos ficamos nesse ciclo de superficialidade.
homem sozinho olhando as redes sociais
Use sim as ferramentas digitais para seu desenvolvimento. No entanto, fique atento para não se iludir com o falso senso de realidade. E a realidade é que sua felicidade não vem dos likes ou comentários. (Por Rod).
Por que as gerações antigas pareciam lidar melhor com isso?
Se você comparar as gerações de 60/70 com as de 90 pra frente, verá uma grande diferença na forma como lidavam com aceitação e pertencimento. No passado, as pessoas tinham círculos sociais mais estáveis: família, vizinhos, amigos de infância. O pertencimento era construído na convivência, e a aceitação vinha do que você fazia, não de quantos seguidores tinha.
Hoje, somos bombardeados por referências externas que mudam a cada minuto. Se não acompanhar, você está “por fora”. Se não se encaixar, fica isolado. Mas será que precisa ser assim?
O que podemos aprender com o passado?
Aceitação começa dentro de você: Os estoicos já diziam: não tente controlar o que está fora, apenas seu próprio pensamento. Quer pertencer a algum lugar? Primeiro, aceite quem você é.
Relacionamentos reais valem mais que seguidores: Antes, as pessoas construíam conexões genuínas. A amizade não dependia de curtidas, mas de presença.
Aprofunde-se em algo: Quem estuda filosofia, história ou psicologia entende os padrões humanos e aprende a lidar melhor com as próprias inseguranças.
Quer se Sentir mais aceito? Desconecte-se!
A ironia é que, quanto mais buscamos aceitação nos lugares errados, mais nos sentimos deslocados. O segredo não é seguir todas as tendências ou viver para agradar os outros, mas entender que pertencimento verdadeiro vem da autenticidade. E isso, meu amigo, não está no seu feed, mas sim em séculos de sabedoria que você pode (e deveria) aproveitar.
Então, que tal fazer diferente? Saia um pouco da bolha digital, busque conhecimento real e experimente conexões mais profundas. Pode ser que a aceitação que você tanto procura já esteja mais perto do que imagina.
amigos rindo sem celulares
Lembre-se do Fator Cotidiano Familiar. É um dos fatores que você terá que lidar diariamente. Considere a relação com sua família e seus amigos como determinantes para seu bem-estar. (Por Rod).
👸🏼 Como os princípios do estoicismo podem ajudar a lidar com as turbulências políticas no Brasil sem se deixar consumir pela frustração ou raiva. 📕
Controlar as frustrações e o desespero
A política no Brasil é um tema que gera emoções intensas. As decisões governamentais afetam diretamente, na maioria das vezes, a vida das pessoas, causando indignação, frustração e até desespero. Mas será que devemos permitir que essas emoções nos consumam? O estoicismo, filosofia praticada por Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio, ensina a diferenciar o que podemos e o que não podemos controlar.
Segundo Epicteto, devemos focar no que está sob nosso controle: nossas ações e reações. Não temos controle direto sobre políticos, eleições ou políticas públicas imediatas. Mas podemos controlar como reagimos a isso.
Aceitar a realidade sem resignação: O estoicismo não prega passividade, mas sim aceitação estratégica. Política e políticos brasileiros são imunes às ações do povo. Qualquer ato popular resignado contra o propósito deles pode ser crime. Entende?
Praticar a ataraxia: Significa manter a mente tranquila mesmo em meio ao caos político. Resignação produz sofrimento e dor com o tempo. Sentimentos de raiva e rancor podem acabar com sua vida. Então não caia nessa armadilha.
Agir dentro das possibilidades: Se for engajar-se politicamente, já que se decidiu por esse caminho perigoso, faça de forma racional e equilibrada. Autoconhecimento e desenvolvimento pessoas é a solução.
Antes de reagir a uma notícia política que tirou sua paz, pergunte-se: “Tenho controle sobre isso?” Se a resposta for não, direcione sua energia para o que pode realmente ser transformado: QUE É VOCÊ MESMO.
Conclusão
O estoicismo nos ensina que, diante de decisões políticas que nos afetam, devemos focar em nossa conduta e evitar sermos arrastados por emoções destrutivas. Ao praticar essa filosofia, conseguimos manter a serenidade e agir com sabedoria.
LEMBRE-SE: “O verdadeiro poder está no autocontrole.”
😥 Por que tanta gente parece anestesiada diante da corrupção e da violência? A psicologia pode nos ajudar a entender e reagir. 😫
A Psicologia sobre nossa indiferença
Diariamente, somos bombardeados por notícias de corrupção, violência e injustiças. Mas, ao invés de reagirmos, muitas vezes seguimos a vida como se nada estivesse acontecendo. A psicologia explica isso com a existência de dois fenômenos: a fadiga da compaixão e o efeito espectador.
A fadiga da compaixão ensina sobre como a exposição constante a tragédias, sofrimentos e situações de trauma nos torna emocionalmente esgotados. O cérebro, incapaz de lidar com tanto sofrimento, passa a criar uma barreira para evitar o desgaste emocional. O outro fenômeno é o efeito espectador, onde as pessoas esperam que “alguém faça algo” e, por isso, não agem, mesmo em situações flagrantes em que alguém precisa de ajuda ou algo diferente precisa ser feito. Além disso, quando a violência e a corrupção são constantes, a sociedade passa a vê-las como normais. E nós estamos exatamente assim.
Para reverter esse cenário, é essencial consumir informações de forma consciente, entender o impacto das nossas ações e praticar o engajamento ativo, realizando ou apoiando causas e iniciativas que sejam realmente úteis, ou seja, baseadas na liberdade, em fatos, e nunca, jamais, enviesadas por narrativas ideológicas. Mas essa é a parte fácil.
O difícil e fundamental é entendermos que nossas ações devem começar a ser baseadas no nosso conjunto de valores individuais, do nosso caráter; assim pode-se evitar viver em comportamento de manada. Não é fácil, pois isso exige conhecimento de si mesmo a ponto de conseguir identificar o que está acontecendo, identificar o comportamento de manada que certamente será iniciado e, mesmo assim, ter forças para seguir o caminho contrário.
Conclusão
A apatia social não é um destino inevitável. Compreender os mecanismos psicológicos que nos levam à indiferença é o primeiro passo para resgatar nosso senso de responsabilidade e ação.
Lembre-se: “Se algo te incomoda, estude, aprenda e evolua para tornar-se parte da solução. Enquanto isso, você é parte do problema.” (Rodrigo Gomes Rodrigues)